Leia um repertório de conceitos do pesquisador Henry Jenkins, autor do livro “Cultura da Convergência”. Post que compila trechos de uma entrevista concedida a Elizabeth Carvalho no ano de 2009 para o programa Milênio. Disponível na globo.com, ou então, assista o vídeo logo abaixo.
• Vivemos em um mundo onde os conteúdos fluem facilmente através de diversas plataformas midiáticas, num mundo em que fazer mídia é tão importante quanto consumir. Onde as pessoas que conhecemos on-line são tão reais quanto nossos vizinhos.
• A convergência como um processo cultural, refere-se ao fluxo de imagens, idéias, histórias sons, marcas e relacionamentos através do maior número de canais midiáticos possíveis. Um fluxo moldado por decisões originadas, tanto em reuniões empresariais, quanto em quartos de adolescentes.
• Há duas visões de mundo bem distintas. Uma se baseia no consumo constante e na absorção de mensagens criadas por centros midiáticos, e outro criado por produção pulverizada.
• Ainda estamos aprendendo usar plenamente as ferramentas. No momento investimos em jogos. Não nas chamadas “atividades úteis”, mas em atividades de diversão. Estamos desenvolvendo habilidades. [...] que ajuda na formação coletiva do conhecimento e na circulação de idéias através da sociedade.
• Antes da era da convergência um único homem podia dominar todos os campos do conhecimento. Hoje em dia, há uma explosão de informações. Não é mais possível saber tudo. Estamos vivendo em tempos de inteligência coletiva, num mundo onde ninguém sabe tudo. Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante. Eis a raiz de uma sociedade em rede.
• No momento muitos se sentem inaptos a lidar com o excesso de informações. Pela incapacidade de absorve-las todas a tempo, mas isso ocorre por estarmos tentando aplicar uma lógica do homem renascentista a um modelo de informação desenvolvido para ser coletivo e colaborativo. Em vez de tentar absorver o conhecimento para si, deveríamos aprender confiar na comunidade à nossa volta, confiar uns nos outros para processar as informações. Em vez de cidadãos bem informados, devemos ser cidadãos monitoradores. Alguém que vasculha o horizonte e filtra informações necessárias, agindo de forma pontual e objetiva, em contraste com a necessidade do entendimento profundo, sobre tudo que nos rodeia.
• Deveríamos aprender a escolher o foco da nossa atenção. Precisamos aprender como participar plenamente, ou sermos soterrados por informações sem sentido.
• Temos que partir da premissa que, todo processo criativo, o artista constrói sobre a cultura existente. Mas para isso precisamos respeitar a cultura. Precisa conhecer e identificar as fontes do material que usou. Para mim a diferença entre remixagem e plágio é que o plágio oculta as fontes, enquanto a remixagem celebra e as expõe. A remixagem procura construir um diálogo com o passado em vez de reivindicar para si a autoria das obras. É um processo de colaboração com a cultura que nos cerca.
Assista também: Transmídia amplia as experiências da narrativa em: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1299529-7823-TRANSMIDIA+AMPLIA+AS+EXPERIENCIAS+DA+NARRATIVA,00.html
Consulte o blog: http://www.tecnologiaoutonal.com.br/2010/07/09/cultura-da-convergencia/
9 de ago. de 2010
Convergência: algumas piceladas com Henry Jenkins
Assinar:
Postar comentários (Atom)
1 comentários:
Concordo com Henry Jenkins, em sua afirmação de que a convergência acontece além dos “aparelhos mágicos” se processa em nossa “cabeça”. Neste sentido especulo que um produto trasmidiático deve levar em consideração a cultura local. Que, em minha opinião, deve ser especializado e produzido para um nicho específico.
Postar um comentário